Esse blog tem como finalidade falar sobre o ensino de maneira otimista. Quem ainda acha que podemos interferir na história, seja bem vindo!
quarta-feira, 23 de setembro de 2020
Multimodalidade
Pensar o “novo básico” necessariamente sugere que se dê um segundo passo (o primeiro seria o multiletramento): a reflexão sobre a multimodalidade e as diversas impressões sobre o mundo.
O multiletramento é um pressuposto de inovação linguística no campo da história. A base dessa reflexão é o livro “Multiliteracy” que aponta sobre a mudança na forma de produção e de difusão das narrativas próprias da história. A proposta é a reflexão sobre o uso das linguagens sobretudo, as tecnológicas. Assim, o processo de escrita, leitura e compreensão se torna complexo, pois acrescenta outras linguagens como a visual (pictórica e em movimento) , gestual, a midiática, a “youtuber” entre outras mídias digitais. Pensar o “novo básico” necessariamente sugere que se dê um segundo passo (o primeiro seria o multiletramento): a reflexão sobre a multimodalidade e as diversas impressões sobre o mundo.(KALANTIZS, Mary and COPE, Bill - Literacies. Nova Iorque: Cambridge, 2012.)
Existe uma demanda social, consequência da inclusão da tecnologia no nosso cotidiano, de reflexão e uso das tecnologias em sala de aula. Todavia, a compreensão equivocada de tal demanda aparece na centralização da forma tecnológica frente ao seu conteúdo. Durante as visitas em escolas públicas sempre nos é apresentada a sala de multimídia como algo valioso por simplesmente existir. O uso da forma tecnológica pode encobrir o uso tradicional da narrativa histórica. O uso do datashow, por vez, substitui a escrita do conteúdo no quadro, o uso de um vídeo usado como ilustração de um período ou a leitura de um texto como confirmação de uma dada perspectiva do passado.
Do ponto de vista da metodologia do ensino e aprendizagem da história o problema é localizado na etapa de crítica ao uso das fontes de pesquisa histórica, discussão necessária para a produção e difusão do conhecimento histórico. A introdução de ferramentas tecnológicas sugere o eclipse de tal discussão, como se a produção artística ou docente (também entendida como uma expressão de arte) não tivesse contornadas e assinaladas de concepções de história ditas ou não.
O conhecimento mediado pelas formas tecnológicas apresenta uma outra questão de carácter relacional entre o professor e o aluno hoje. A relação com a tecnologia apresenta esta como algo sempre em contínuo processo de aperfeiçoamento evolutivo. Tal percepção de mundo é tomada por parte da população, geralmente a geração após os anos 2.000 mais não exclusiva a esta, sem nenhuma atitude reflexiva. O professor não percebe essa questão, afinal essa imagem de mundo não é por muita das vezes por ele vivenciada. Este desencontro aparece na relação do professor com o aluno. Essa pesquisa busca demonstrar que a saída para tal questão não é adesão da formalidade tecnológica, e sim compreensão mais ampla de tecnologia que pode ser representada no uso fluente de diferentes linguagens junto aos alunos. A sensibilidade as formas tecnológicas estão presentes nos alunos, já o uso das tecnologias estaria no campo das atitudes pedagógicas do docente.
Ana Maria Santiago no artigo “Saberes necessários à formação docente: uma reflexão sobre a disciplina história e seu ensino na educação básica” aponta para quatro habilidades docente: princípio da reciprocidade, informação extensiva, revestir o cognitivo do afetivo e apresentar a história como possibilidade. Essas habilidades vão de encontro com a perspectiva atual de docência e os desafios contemporâneos do ensino e aprendizagem de história, afinal as plataformas de conhecimento, as produções de audiovisual histórica, os videogames, os youtubers e outras formas tecnológicas são diariamente vivenciada pelos discentes e por ser aproveitadas e discutidas pelo docente que entender a produção de conhecimento como algo recíproco, o aluno lança mão de sua vivência para compreender o passado e o professor amplia a informação de forma extensiva e assim cria a sensibilidade no aluno de que a história é uma possibilidade.
Um pouco de arte para pensar um pouco! Assista o vídeo do link a seguir e experiemnte uma tranposição modal ( Tente narrar o vídeo como um jogo de futebol, que tal?)
https://www.youtube.com/watch?v=LjkdEvMM5xs
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O texto propõe uma interessante reflexão logo nas primeiras linhas:"Por que as aulas de história são consideradas chatas e livros, filmes, novelas, músicas históricas são um sucesso no Brasil e no Mundo?" Podemos apresentar duas hipóteses para essa insatisfação em relação as aulas.
ResponderExcluirPrimeiro, o fato do aluno ser estimulado pelo sistema tradicional a permanecer de forma passiva em relação a produção de conhecimento. O modelo "engessado" não dá liberdade nem para o aluno questionar. Só o incentiva a apreender "verdades" para "depositar" nas avaliações.Destarte, o aluno não assimila a aproximação do conteúdo exposto com a sua própria realidade. Muito menos, tem ideia da sua importância para a própria formação. Isso é a consequência da falta de criticidade.
Sem dúvidas, o uso do recurso audiovisual é uma ferramenta excelente para comunicar o conteúdo de forma que a cativa a audiência fora da escola, pois está ligada ao entretenimento. Por um lado , é interessante trazer esse recurso para dentro do ambiente escolar, assim a concepção de que o conhecimento pode ser exposto apenas de uma maneira seria combatida. Porém, é necessário lembrar que o nosso Brasil é marcado por desigualdades, onde nem todos tem as mesmas condições e acessibilidade . Além disso, as escolas públicas sofrem com a desvalorização dos seus espaços seja pelo descaso do governo ou do próprio município ou ainda, do poder paralelo local. Dessa forma, o recurso audiovisual é excelente como ferramenta para o ensino. Mas também, pode intensificar as desigualdades sociais.
Segundo, a falta da criticidade. Por isso, é valido ressaltar a importância de estimular o senso crítico dos alunos, seja na sala de aula ou além dela. Inclusive diante de filmes, novelas, séries, músicas ou qualquer outro recurso utilizado para apresentar uma ou algumas perspectivas do mundo. Inclusive a sua própria experiência de vida.
Portanto, é de extrema importância a contínua reflexão dos professores em relação as nossas práticas nas construções ou desconstruções na sala de aula, instigar o aluno a questionar e sim, utilizar os recursos audiovisuais como ferramentas para exemplificar ou contrapor o que foi dialogado na sala de aula. Mas não limitar o ensino a eles. É preciso flexibilização e sensibilidade para trabalhar com outros recursos que estejam disponíveis aos alunos.
Adorei sua colocação crítica sobre o uso do audiovisual, realmente de certa maneira pode ampliar a desigualdade social. Contudo, a multimodalidade não é exclusiva ao uso desse recurso. A tecnologia está presente na nossa sociedade e usa-la é importante, só deixo claro que a maior tecnologia que temos é a "tecnologia humana" capaz de conhecer, se afetar e propor mudanças.
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