Esse blog tem como finalidade falar sobre o ensino de maneira otimista. Quem ainda acha que podemos interferir na história, seja bem vindo!
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
Encontro entre sociologia e arte: Nobert Elias em "Lições de um sonho"
Os temas históricos são freguêntes no cinema, o filme alemão "Lições de um sonho" é mais um deles. Com uma linda fotografia e roteiro sensível "Lições de um sonho" nos apresenta questões peculiar a sociedade alemã.
O personagem principal do filme é de um professor alemão de língua inglesa seu nome é Konrad Koch. Em uma primeira aproximação, o tema da educação é o que mais se apresenta, a relação entre professor e aluno. Em uma segunda aproximação, percebmeos traços da sociedade alemã: como desigualdade social, trabalho fabril, urbanização, clima histórico, história do futebol, "soft power"... Quando nos aproximamos mais uma vez, aí conseguimos ler Nobert Elias.
Nobert Elias escreve sobre o conceito de Kultur o "orgulho alemão", ou seja, o valor de determinado ser humano (no que é peculiar a ele). Konrad Koch tem uma história peculiar, um detalhamneto específico da "auto-imagem nacional" de uma determinada temporalidade. Nas palavras de Nobert Elias, Koch poderia representar a "cristalização de experiências passadas e situações retiver em valor existencial."
Cabe ressaltar, entendemos o filme como um representação de uma dado pensamento coletivo e complexo, afinal a produção de um filme passa pelas mãos de muitos profissionais tais como: idealizador, roteiristas, diretor geral, diretor de fotografia entre outros. Cada um deles auxilia na construção da ideia de mundo que é passada naquela obra de arte. Por mais que tenhamos a sensação de que uma imagem parece uma ilustração de algo ("uma fotografia") isso não é verdadeiro. As imagens (em movimento ou não) são representações sociais, pois são construidas, pensadas, analisadas, interessada.
Quando trabalhamos com o cinema (imagens em movimentos) temos que estar atentos a forma de registro dessa modalidade de produção cultural. No livro nos podemos fazer os fichamentos pelas páginas dos livros, já com o audiovisual devemos marcar a minutagem, descrever a cena e depois apontar o nosso interesse na cena (nosso comentário pessoal).
Que tal ler "O Processo Civilizador" de Nobert Elias e depois assistir ao filme "Lições de um sonho"? Será uma experiência bem interessante. Depois registre esse encontro entre sociologia e arte. Escolha 3 cenas que represente a discução sociológica apresentada por Elias.
Abaixo segue o link do filme:
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Olá :D
ResponderExcluirSegue abaixo três cenas que me chamaram atenção no filme: Lições de um sonho.
A primeira cena que me despertou curiosidade é a que ocorre aos 6:03:
O Konrad Koch, professor de inglês tinha acabado de chegar a escola que iria lecionar. Ele foi recepcionado pelo diretor e que o levou até a diretoria. Lá, o diretor já alertou o professor de que ele começaria imediatamente as aulas de inglês. Na frase dita pelo diretor: " Pontualidade e disciplina. Esqueceu-se das disciplinas alemães?" Isso me lembrou o texto do Norbet Elias , O processo civilizador, quando ele fala sobre o termo "Kultur" para os alemães, ele está ligado ao orgulho em suas realizações e no próprio ser.
A segunda cena é aos 7:40: O professor Konrad está na sala de aula . E para "quebrar o gelo", ele se apresenta e pergunta aos alunos o que eles sabiam sobre a Inglaterra. Aos 7:58: "... agem como bárbaros e tem vãs ambições imperiais", o Sr. Hartung, o monitor de classe se levanta e responde. Logo em seguida, aos 8:07:"... O que quer dizer com "bárbaro"? ". Destacarei duas que me chamaram atenção: aos 8:23:" São endogâmicos" e aos 8:26:" O governante deles é uma mulher".
O termo "bárbaro" geralmente é utilizado para menosprezar a cultura de um povo , tomando como base uma cultura que se diz superior.
A terceira cena ocorre dos 13:12 até 13:46: O Richard Hartung e seu filho, aquele jovem que disse que os ingleses eram bárbaros, estavam em sua luxuosa casa fazendo uma refeição. Quando o mordomo, entrega uma carta para o Sr. Richard, na qual ele percebe que o Rosenthal, seu "rival" está falido e comemora. O filho também diz que pegou um canalha, se referindo a Joost Bornsted, um filho de uma operária.
Aos 14:00, Richard Hartung diz:" Se deixarmos os trabalhadores enviar seus filhos à escola, os socialistas vão nos tirar tudo o que lutamos tanto tempo para construir". É chocante perceber o quanto a classe afortunada vê a classe trabalhadora como ameaça. E o que será que o personagem esta se referindo quando diz: " tudo o que construímos". Será que ele se refere a própria cultura e seus ideais? Ou a questão da ordem de classes e da não ou raríssima transitação entre elas?